Mostrando postagens com marcador Poemas Próprios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poemas Próprios. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

MEU AMOR ESCONDIDO

Joaquina Lacerda Leite (06/01/03)

Se o meu amor é Regina
Porque de Régio chamá-lo?
Será que agindo assim
Não reforço um preconceito
Que traz sofrimento pra mim
E desejo ver superado?

Muitas vezes eu penso
Em anunciar nosso amor em um alto-falante,
Outras vezes eu penso que o sigilo
O faz muito mais excitante.

As pessoas babacas
Devem ficar .embasbacadas,
Com a nossa relação:.
Ora a trato com distância
Ora a olho, embevecida;
Ora a trato como amiga,
Ora a olho como amante;
Tento chamá-la de Régio,
Mas, às vezes, me distraio,
E a chamo de Neguinha,
E muitas vezes a olho,
E a vejo como ninfeta.

Se o nosso amor é tão grande,
Porque temos que negá-lo?
Se o nosso amor é tão profundo,
Porque temos que escondê-lo?
É certo esconder os sentimentos

Só por causa de preconceitos?

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O Vigilante


Só trabalhamos em paz
Por causa do vigilante
Que protege nossas vidas
Todo dia, a cada instante.


Irradiando simpatia
E sempre bem humorado,
Não nega informações,
sempre que solicitado.


E como se não contentasse
Com o cumprimento de sua função
Transmite nossos recados
Com presteza e educação.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

ESTA FILA

Joaquina Lacerda Leite (27/03/2002)

Ah, esta fila,
Esta desrespeitosa fila,
Esta degradante fila,
Esta abusiva fila,
Esta perversa fila,
Que fila é esta, Presidente,
Que tanto me aniquila?

Ah, esta fila,
Esta deprimente fila,
Esta desumana fila,
Esta angustiante fila,
Esta enervante fila,
Esta apavorante fila,
Que fila é esta, Governador,
Que tanto me azucrina?

Ah, esta fila que se desfaz
Após horas e horas de espera,
Por falta de senha
Ou porque o médico fila,
Para se refazer no dia seguinte
à mesma hora da madrugada
Que fila é esta, Prefeito,
Que tanto me humilha?

Ah, esta fila, esta perversa fila,
Esta impiedosa fila,
Esta exaustiva fila,
Esta desgastante fila,
Esta aviltante fila,

Que pátria é esta, meu Deus,
Que faz pobreza rimar com fila?
Que burguesia é esta, minha mãe,
Que impõe ao pobre morrer na fila?

OBS.: poesia publicada na antologia Poetas da Bahia (I), da Editora do EXPOGEO.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

TAMBÉM VOU PARA PASSÁRGADA
Joaquina Lacerda Leite (Salvador, 8/9/1997)

Tal como Manuel Bandeira,
Também vou para Passárgada.
Ficar aqui já não me apraz,
Não estou mais apaixonada.

O que não encontro mais aqui
Vou procurar em Passárgada:
Justiça, respeito, sinceridade
E muita pureza d'alma.

Vou-me embora prá Passárgada
Buscar uma vida diferente
Lá poderei andar nua
Quando o sol estiver muito quente.

Vou-me embora prá Passárgada
Viver com mais liberdade
Aqui as proibições são tantas
Que me furtam a criatividade.

Vou-me embora prá Passárgada
Morar que nem gente decente
Lá tem casa, comida, lazer
(E livros!) para toda a sua gente.

Vou-me embora prá Passárgada
Lá, poderei trabalhar
Aqui só tem trabalho para as máquinas
Que do homem ocupam o lugar.

Vou-me embora prá Pasárgada
Procurar terra para plantar.
Aqui a terra é de poucos
Que nem sabem a terra arar.

Vou-me embora pra Pasargada
Em busca de solidariedade
Já não encontro doçura e afeto
Nas ruas desta cidade.

Sei que a ida não é fácil,
Estou toda embaraçada!
Ninguém me sabe informar
Prá que lado fica a estrada!

Mas é tanta a minha vontade
De encontrar esse lugar
Que não medirei esforços
Para um dia chegar lá.

E ainda que descubra
Que a estrada é um labirinto
Seguirei sempre em frente,
Ficar aqui é que não fico.


Dos amigos que deixo
Com saudades vou lembrar
Prometo avisar a todos
Quando em Passárgada chegar.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Esperança

Joaquina Lacerda Leite (SSA, 09/02/2003)

Espero um dia ver o mundo
Totalmente modificado,
todos podendo comer,
Todos sendo respeitados.

Espero um dia ver o mundo
Totalmente modificado,
Todos podendo estudar
Todos bem empregados.

Espero um dia ver o mundo
Totalmente modificado,
Ninguém subjugando ninguém,
Ninguém sendo explorado.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A CRÍTICA

Joaquina Lacerda Leite (UFBA e Espaço Cultural Expogeo)

Ah, meu amigo, você não sabe
O quanto a crítica é execrada
Pelas pessoas vaidosas
Que se consideram perfeitas!

Há os que a odeiam porque
Ela desnuda suas falácias.
- Estes tentam desqualificá-la
Com mentiras e ameaças.

Há os que a detestam
Porque ela resgata fatos
Que preferiam esconder.
- Estes tentam amordaçá-la
Com rancor e estupidez.


Há os que a rechaçam
Por mero mau caratismo.
- Estes não atrapalham
Porque suas trapaças
São por demais conhecidas.

Há os que a abominam
Por não terem argumentos
Para contracenar com ela.
- Estes tentam distorcê-la
Antes de contestá-la.

Embora incômoda, é a crítica
Que faz a História avançar
Com seu olhar penetrante
Sua análise fundamentada
E o destemor de sua fala.

É a crítica que suscita
Novas teorias científicas
E renova o pensamento filosófico.
Ela ilumina o caminho dos dirigentes
Sustenta o debate das idéias
E aprimora a democracia.

Quem possui esperança critica
O desesperançado fica atado
Mas quem tem solidariedade
Não consegue ficar calado.

A crítica criteriosa que não
Intenciona ofender ou afrontar
Expressa afeto e carinho
De quem só quer colaborar.

Comentário da autora: as pessoas teriam muito menos problemas, os conflitos seriam muito menos numerosos, se as pessoas, ao invés de se sentirem magoadas ou ofendidas com as críticas, as recebessem como contribuição, refletissem sobre elas e tirassem o devido proveito para aprimorarem sua forma de ver o mundo e de se relacionar com as pessoas.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Minhas Rugas

Joaquina Lacerda Leite

As minhas rugas
são a coisa mais linda
que posso lhe mostrar.

Preste bem atenção
e sinta que elas falam
riem e até cantam
a minha história.
Uma história cheia de amores
desilusões, alegrias, prantos
e paixões arrebatadoras
por projetos, pessoas e objetos.

Minha história é igual à sua:
não tem nada de mais
nem tem nada de menos.
Simplesmente não refreei
a vontade de experimentar
as emoções que me carregavam.

Vivi uma vida intensa.
Não posso menosprezar
as testemunhas desta história.
Eu amo minhas rugas
e as acaricio docemente
quando sinto necessidade
de rememorar o meu passado


P.S.: Fiz esta poesia para confortar todas as pessoas, particularmente as mulheres, que sofrem quando o espelho lhes mostra as rugas. Há sempre um outro olhar, capaz de confrontar o preconceito.

terça-feira, 9 de junho de 2015

AS MENTIRAS E OMISSÕES DA HISTÓRIA OFICIAL

Joaquina Lacerda Leite (Tremedal, 28-01-2015)


Os livros de História anunciam:
Pedro Alvares Cabral descobriu o Brasil.
Os índios que aqui viviam, por acaso
Não chegaram primeiro?

Os livros didáticos dizem: Dom Pedro I
Proclamou a independência do Brasil.
As sangrentas lutas populares nas ruas da Bahia,
Que papel lhes cabe nesta história?


As escolas ensinam: Foi a Princesa Isabel
Quem aboliu a escravidão dos escravos.
Os quilombos, os ativistas políticos,
A Inglaterra (maior credora do Brasil),
Por que todos estes atores são ignorados?


Os professores transmitem que o
Marechal Deodoro proclamou a República.
Os que lutaram anos e anos contra
O autoritarismo monarquista
Nada fizeram?


Os historiadores proclamam os grandes
Feitos do presidente Getúlio Vargas
Mas omitem as atrocidades que cometeu
Contra os opositores da ditadura getulista.


A Educação escolar informa as obras
Faraônicas dos governos militares
Mas não relatam as torturas que perpetraram
Contra os que defendiam a democratização do país
Nem a corrupção dos políticos
Que os apoiavam incondicionalmente.


Por que a cultura da burguesia
Ignora as lutas dos movimentos sociais?
Por que as páginas da História Oficial
Trazem tantas omissões e mentiras?

quarta-feira, 11 de março de 2015

GLOBALIZAÇÃO

Joaquina Lacerda Leite (Nov/1999)


Do ventre perverso da
Globalização desalmada
Nascem crianças sem destino
Ou destinadas a viver sem nada.

Tal qual um cavalo alado
Correndo mais que o vento
Propaga o Neoliberalismo
Semeando dor e sofrimento.

Nas ruas da América do Sul,
São chocantes seus estragos,
Argentina, Venezuela, Brasil,
E em muitos outros lugares.

Será que essa Globalização
Não poderia ser humanizada?
Todo mundo com boa renda
Toda família amparada?

Viva a descentralização da riqueza!
Viva a globalização da solidariedade!
É legal comunicar-se com o Mundo
Em altíssima velocidade.

VELHICE DESAMPARADA

Joaquina L. Leite (in Resistir é Preciso).



Ontem, eu filmei uma velhinha
Deitada em uma calçada
Sob uma neblina bem fria
Fiquei do Brasil envergonhada.


Ontem eu vi um velhinho
À espera, no ponto de ônibus.
Veio um malandro e roubou-o
Não vi ninguém fazer nada.


Ontem, em um hospital,
Uma idosa foi rejeitada.
Contorcia-se de dor
Senti pena, fiquei indignada.

Ontem, vi um idoso na rua
Pedindo esmola aos que passavam.
Passou o Prefeito
Passou o Governador
Passou o Presidente,
Passaram os soldados.
Todos surdos e mudos
Pareciam estar anestesiados.



Nota: "Não obstante a contribuição dada à sociedade, ao longo de toda a sua vida, ao invés de serem tratadas com gratidão e carinho, as pessoas idosas são, em geral, vítimas do descaso do Estado e do preconceito dos mais jovens que se esquecem de que, um dia, se não morrerem cedo, também poderão ser maltratados. Pobres coitados! Não sentem que, tratando os idosos com desrespeito, estão construindo para si próprios um futuro temerário!" (Joaquina Lacerda Leite).

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

MEU MENINO DOWN
(Joaquina Lacerda Leite)


Doutor, meu filho é normal?
Sim.... não....
Não... sim
Bem, ele é down!


Fixei o berço, atônica,
A cabeça, desnorteada
Meu nenê, então me olhou
E esboçou uma risada.


Sua face, sempre tranquila,
Como um pombinho angelical
Me conforta, me enaltece,
Sou feliz, meu filho é down!
NADA É IMPOSSÍVEL

Joaquina Lacerda Leite (inspirada em Brecht)


Os poderosos proclamam
E os conservadores confirmam:
O mundo sempre teve pobres e ricos
E assim sempre será.

Apregoam que a riqueza e a pobreza
São tão naturais quanto as águas dos rios
Eles também afirmavam que a escravidão
É decorrente de desígnios divinos e
Que Deus fez os homens para comandar
E as mulheres, para obedecer.

Asseguram, ainda, que as injustiças 
Existiram desde que o mundo é mundo
E nunca vão se acabar.

Mas a História desvela as mentiras 

Da classe opressora, mostrando
Que tudo pode se modificar:
As ditaduras estão ruindo
As mulheres estão se libertando
Os escravos rompem os grilhões.

E muito mais vai acontecer
Quando o povo descobrir

Que ele tem o poder de mudar.

Este poema é uma homenagem a Bertolt Brecht. Na verdade, uma trudução...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

INTOLERÁVEL INJUSTIÇA

Invadiram um jornal em Paris
E mataram sete franceses!
Os jornais, rádios e televisões,
Dizendo-se representantes
Dos povos do mundo ocidental
Enunciaram uma imensa indignação
contra esta terrível tragédia.

Países petrolíferos do Oriente
são constantemente invadidos
pelas ricas nações ocidentais
Que transformam seus territórios
Em sangrentos campos de batalha
E suas vidas em um tenebroso inferno.

Milhares de mortes são perpetradas
sob o olhar complacente da mídia ocidental.
Os povos assistem a tudo
Anestesiados por esta mídia
que naturaliza esses genocídios,
e os justificam em nome
do aprimoramento da democracia mundial.

Todos os tipos de agressão são condenáveis:
O extermínio dos índios, a escravidão dos pobres,
A violência contra as mulheres, o assassinato de gays,
O desprezo pelos idosos, a dizimação de jovens negros,
A corrupção dos políticos, a submissão dos indefesos.

Criminalizar os crimes que atingem os ricos
E naturalizar os que são por eles praticados
É desumano, é monstruoso, é abominável.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

ODE À VELHICE I


Joaquina Lacerda Leite

Graças à velhice
Que me há dado tanto
Me tem estirado a vida
Pra gestar mais sonhos
Me tem concedido mais tempo
Pra nutrir minha esperança
E me tem dado a sabedoria
Que aos jovens tanto encanta.

Graças à velhice
Que a tantos tanto incomoda
Eu posso viver mais tempo
E vivenciar mais a História.


Nota: esta é uma paródia para a música de Mercedes Sosa denominada 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O ESTIGMA DO PRECONCEITO

Joaquina Lacerda Leite (28/05/2011)

Parodiano Jesus Cristo
Diante da prostituta
Eu faço uma provocação:
Quem nessa vida algum dia
Nunca sofreu por preconceito
Por favor, levante a mão.
O preconceito é uma peste
Que dissemina conflitos
E impede a paz social.
Cria bullyings nas escolas
E inimizades nas cidades.
As feridas que comete
Causa incuráveis sequelas.
Por ele se mata e morre,
Por ele se fazem guerras.
Ele fere, a ferro e fogo,
Até a alma de uma menina.
Ele castra a autoconfiança
Que é imprescindível à vida.
Os malefícios que provoca 
Massacra a autoestima.
O preconceito é um pégaso
Correndo desenfreado
Pelos campos e cidades
Pelas montanhas e vales
Esparramando dissabores,
Semeando infelicidades.
Embora tão tenebroso
E nocivo à sociedade,
Ninguém o tem combatido
Com a devida intensidade:
Nem os pais e os professores;
Nem os políticos e os doutores;
Nem juízes e desembargadores;
Nem os lideres religiosos,
Com exceção dos pais-de-santo,
Que têm muito a ensinar,
Com sua ética humanista
E seu culto a oxalá.
Conheço muitos militantes
Que combatem o preconceito
Que lhes atinge diretamente
Enquanto praticam outros
De natureza diferente.
Há importantes instituições
Combatendo estigmas específicos
Mas ignorando outros
Que são igualmente ferinos.

Não acredito que a luta
Desta forma fragmentada
Possa extirpar os estigmas
Que flagelam a sociedade.
Preconceito é um problema
Tão perverso quanto complexo.
E se ele tem várias faces
Não é correto separá-las,
Para combatê-las por partes.
É por isso que eu digo
E repito - se for preciso -
Uma, duas, um milhão de vezes:
Só a união dos discriminados
Combatendo os preconceitos
De forma totalizante
Matará esta hidra perversa
Que causa tantas atrocidades
No Brasil e no Mundo inteiro.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

MULTICOLORIDA

Joaquina Lacerda Leite (Salvador, 27/11/2006)


Embora minha pele seja apenas branca
Minha alma possui todas as cores.

Meu lado branco se avermelha de vergonha
Dos capítulos da História do Brasil
Que tratam da escravidão dos negros
E de sua exclusão, após a Abolição da Escravatura.

Meu lado vermelho fica roxo de raiva 
Quando vê os ricos oprimirem os pobres 
Impondo-lhes condições de vida 
Famintas, analfabetas e insalubres.

Meu lado pardo sente ódio e asco
De todos os brancos desumanos
Que insistem em afirmar uma superioridade
Que não existe, porque é apenas ideológica.

Meu lado negro sente grande compaixão 
Dos mulatos que negam sua negritude
 Por ignorarem a riqueza exuberante
De sua maravilhosa herança africana.

Meu lado azul também fica indignado
Com as práticas nazistas – sutis ou ostensivas –
Que discriminam gays, lésbicas, transexuais, 
Tentando cassar seu direito de ser e de amar.

Meu lado verde revolta-se veementemente
Contra todas as pessoas orgulhosas e perversas
Que tratam os idosos com arrogância e desrespeito
Menosprezando sua contribuição tão valiosa.

Meu lado humano é m u l t i c o l o r i d o
E não tolera nenhum tipo de preconceito. 
Adora refletir-se nos outros,
Recusando-se à prisão do próprio círculo.

DIOLINDA, MINHA MÃE


(criada em 2001 e modificada em 23/03/2012)

Quando a vejo, assim, tão frágil
e tão forte diante da perda
de filhos, marido, pais, irmãos, tios, avós,
Não posso deixar de admirá-la intensamente.

Quando a vejo, assim, tão velhinha ,
E tão sofrida por um malvado lúpus
que lhe perseguiu a severamente
dos vinte aos cinquenta  anos
Levando-a, tantas vezes, a chamar a morte
Nos tórridos verões da caatinga tremedalense,
Eu fico embevecida com a fortaleza
Dessa nordestina baixinha e gigante.


Quando a vejo assim
tão magrinha, tão curiosa,
E tão cheia de vida e de esperança,
Eu sinto compaixão e repulsa
pelos muros de lamentação
pintados com a cor fosca da apatia




quinta-feira, 21 de agosto de 2014

QUANDO MARIA ERA CALADA



Joaquina Lacerda Leite

Quando Maria era calada
Muita gente a apreciava
Eram muito elogiados
Seus modos eram bem comportados.

Um dia Maria acordou
Do sono que a embalava
Olhou ao redor e notou
Que muita coisa estava errada.

Decidiu soltar a voz
Para criticar as injustiças.
Os amigos se afastando
Sentindo-se incomodados
Olhavam Maria assustados
Como se ela fosse um espantalho!

A perda dos velhos amigos
Foi sofrida para Maria
Mas viver acomodada
Já não lhe satisfazia.

Depois que Maria aprendeu
A dar asas à coragem
Não conseguia ficar muda
Em muitas situações.

Essa é a história de Maria
Que deixou de ser simpática
Pra se tornar militante.
Se essas Marias fossem muitas
Talvez não chocassem tanto
Suas falas dissonantes.

Mas há as Terezinhas
Que só pensam em pescar homem
Que possa lhe sustentar.
E nas festas que freqüentam
Só sabem falar de filhos
(Sempre os mais inteligentes!)
E das proezas do marido
(Sempre o mais bem sucedido!)

Há também as Marietas
Que gostam de trabalhar.
Defendem o próprio sustento,
E ainda cuidam do lar!
Quando lhes sobra um tempinho
Com os amigos vão badalar
Mas fora de seu mundinho
Nada consegue lhes interessar.

É por isso que as Marias
Que conseguem se libertar
Chocam tanto a freguesia
Nesta terra da Bahia.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

MEUS POEMAS


Joaquina Lacerda Leite

Meus poemas são minha voz
Contra as ações desumanas
Meus poemas são de resistência
Contra todas as pessoas tiranas.

Meus poemas são meu canto
De amor á humanidade,
Meus poemas pregam a paz
Para o povo dessa cidade.