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terça-feira, 5 de abril de 2016

“O golpe vai ser dos pretos contra o racismo, contra as elites, não o contrário”

Encontro de estudantes da Uneafro contou com a presença do ator Lázaro Ramos

Por Pedro Borges Do Alma Preta

Mais de 600 jovens se reuniram no Céu Jambeiro, Guaianazes, zona leste de São Paulo, para participar da atividade organizada pela Uneafro, “Por uma Democracia de Verdade”. O evento tinha o intuito de discutir a conjuntura atual e o papel político da juventude negra.

A programação contou com uma série de atividades, desde apresentações musicais, roda de capoeira, sarau, conversa com as Mães de Maio e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, MTST, até a participação especial de Lázaro Ramos.

Sobre o evento, o ator pensa que “é importantíssimo conversar com a juventude, entender o que eles estão pensando, sentindo, quais são as novas propostas de mundo que eles trazem. Para mim, mais importante do que falar aqui, foi escutar”.

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Ator Lázaro Ramos se emociona ao falar sobre o genocídio da juventude negra
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Douglas Belchior, militante da Uneafro e um dos organizadores da atividade, explica que o debate serviu para conversar sobre o momento político vivido pelo país. Foi posta a necessidade de se opor ao golpe articulado pela direita, assim como criticar as decisões tomadas pelo governo do Partido dos Trabalhadores. “Infelizmente a gente não tem visto isso desse governo, que tem adotado a pauta da direita, a pauta dos inimigos. O golpe vai ser dos pretos contra os racistas, contra as elites, não o contrário. Os trabalhadores, as periferias, negros e negras, os LGBTs, todo esse povo que sofreu a margem tem que se organizar e promover um golpe contra a direita reacionária e racista”.


O trabalho do cursinho popular de formação permanente dos jovens de periferia foi destacado por todos que participaram do encontro, algo que parte da esquerda brasileira abandonou no último período, de acordo com Douglas. “Nosso trabalho é para que os jovens de periferia entrem na universidade e se mantenham periféricos, se mantenham negros. Que mudem a universidade e a tornem o que ela deveria ser por natureza, um lugar diverso, que coloque a sua estrutura para mudar a sociedade e não manter a estrutura”.

A Uneafro tem 42 núcleos espalhados pelo país, com a sua grande maioria localizado na Grande São Paulo. Destes, mais de 30 deles estiveram presentes na atividade de sábado. Sobre isso, Carol Fonseca, militante da organização, enaltece a oportunidade de conhecer melhor todos que fazem parte da organização. “Foi um espaço onde eu tive a oportunidade de olhar para cada pessoa que faz parte desse movimento, de ouvir, de abraçar, de expor aquilo que penso e de ver que não sou só eu, Carol, jovem negra e periférica, que acredita numa nova organização de sociedade”.

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Gabriela Martins, estudante da Uneafro do núcleo Rosa Parks em São Matheus, reforçou o papel da formação de base e de momentos de união e troca de saberes entre a juventude negra. “Foi bacana, porque foi uma formação de base. Tem os núcleos e neles a gente já faz alguns debates nas formações, mas eu acredito que quando junta todo mundo, o pessoal acaba se conhecendo para fazer uma formação mais completa”.

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Genocídio

Lázaro Ramos enfatizou o seu encanto com o posicionamento da juventude negra e dos movimentos autônomos de periferia. Ele acredita que a entrada na universidade e a vontade de falar por si têm construído momentos únicos, protagonizados por esse grupo social. “Quanto mais o tempo passa, mais as vozes tentam buscar o seu microfone para serem escutadas. E a periferia tem sido responsável por um movimento que me encanta muito. Quando eu vejo o movimento gay, o movimento negro, os movimentos sociais e com novo depoimento”.

O seu grande porém a ser evidenciado foi o genocídio da juventude negra. De acordo com o Mapa da Violência 2015 – Mortes Matadas por Armas de Fogo, 5.058 jovens brancos e 17.120 jovens negros foram assinados por armas de fogo no país. Para ele, “a gente regride é na quantidade de assassinatos que tem acontecido com jovens de periferia. Isso é uma coisa que a gente tem que falar e denunciar o tempo todo. Esse é o grande pesar desse momento. Essa é a grande bandeira que a gente tem que levantar, manter o jovem negro vivo, manter o jovem da periferia vivo, porque o futuro está aí e eles têm muito a contribuir com o Brasil”.

O encontro foi construído desde o início de 2016 e contou com o apoio da Secretaria de Educação da cidade de São Paulo, do Céu Jambeiro e da Secretaria Municipal de Igualdade Racial, SMPIR-SP.

Confira na íntegra a entrevista com Lázaro Ramos:

Fonte: Geledés

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Empoderamento feminino: o inspirador discurso de Michelle Obama na Argentina

Em seu discurso perante um auditório de jovens mulheres no Centro Metropolitano de Design, nesta quarta-feira (23), na Argentina, a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, emocionou a todos ao falar sobre a importância das mulheres derrubarem os preconceitos sexistas – que as colocam em segundo plano – e a conquistarem seus lugares no mundo.


Por Claudia Do Brasil Post

“Precisamos de mais líderes mulheres nas empresas e que criem suas próprias empresas. Líderes mulheres nos laboratórios fazendo novas descobertas que derrubem o mito de que a ciência e a matemática são coisas de homem”.

Ela relembrou, ainda, sua infância na periferia de Chicago:

“A educação foi tudo para mim. Graças aos estudos, tive oportunidades que meus pais nunca tiveram”, disse. Michelle contou que na sua adolescência “sonhava com ir à melhor universidade e ser advogada, ter um trabalho importante e ser líder na comunidade”.

Mas a vida nem sempre foi fácil para ela.

“Quando comecei a estudar, teve gente que não acreditava na minha capacidade. Dizia que eu não ia conseguir alcançar meus sonhos. Tive até professores que achavam que eu não era inteligente o suficiente e apoiavam apenas os meninos da sala. Sentia que por ser garota, minha voz tinha menos importância do que a minha aparência, do que meu corpo”, contou ela, que é graduada em Direito pela Universidade Harvard.

“Conforme fui ficando mais velha, encontrei homens que, na rua, só julgavam o meu corpo, como se eu fosse um objeto, uma propriedade – em vez de um ser humano com sentimentos”.

Ela admitiu que muitas vezes se questionou, se sentia triste diante a tanta pressão, mas que sabia que não podia fraquejar.

“Decide, então, não ouvir as vozes que me menosprezavam. Decidi ouvir minha própria voz e as dos que acreditavam em mim”.

Michelle terminou seu discurso encorajando as meninas da platéia:
“Desejo o mesmo para vocês. Insisto para que tenham a melhor educação que puderem. Não deixem que as subestimem”.

A conversa faz parte do programa “Let the Girls Learn” (“Deixem as meninas aprenderem”), lançado por Washington há um ano.

A primeira-dama também lançou recentemente uma mobilização para reunir assinaturas no mundo todo em apoio à educação de meninas que têm esse direito negado.

Com o nome de #62MillionGirls (#62MilhõesdeGarotas, em inglês), a campanha tem o objetivo de apoiar as 62 milhões de meninas pelo mundo que estão fora das escolas, sendo metade delas adolescentes.




Fonte: Geledés

sexta-feira, 18 de março de 2016

DIREITA BRASILEIRA NÃO QUER PERDER SEUS PRIVILÉGIOS, DIZ MUJICA

ENRIQUE CASTRO-MENDIVIL: Uruguay's President Jose Mujica arrives to the summit of the Union of South American Nations (UNASUR) in Lima, November 30, 2012. REUTERS/Enrique Castro-Mendivil (PERU - Tags: POLITICS)

quinta-feira, 10 de março de 2016

Dia Internacional de Luta das Mulheres

Neste 8 de março, as mulheres de todo o Brasil terão mais um momento importante de manifestação política, dando continuidade à intensa e permanente agenda de mobilizações desde o ano passado.

No âmbito institucional, houve retrocessos significativos no último período, entre eles a extinção das Secretarias de Políticas para as Mulheres – SPM e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR, ministérios criados como resposta às lutas históricas dos movimentos de mulheres, movimentos de mulheres negras e movimentos negros. A fusão destes ministérios, incluindo também a Secretaria de Direitos Humanos, significou um recuo material e simbólico por parte do Estado Brasileiro quanto ao reconhecimento das desigualdades raciais e de gênero vigentes no país. Na esfera do Legislativo, os movimentos de mulheres vêm denunciando o avanço de agendas conservadoras, promovido pela articulação perversa da Bancada BBB – Bancada do Boi, Bíblia e Bala. Entre as mudanças com forte impacto na vida das mulheres estão retrocessos nos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e a redução da maioridade penal, que pesará mais uma vez sobre jovens negros(as), vítimas preferenciais da violência policial, causando enorme sofrimento para mulheres negras, mães, irmãs, filhas e companheiras destes jovens. Ameaças graves também estão propostas na reforma da Previdência, que prevê, entre outros retrocessos, o fim das condições especiais para camponesas e pescadoras e a equiparação do tempo de contribuição entre homens e mulheres, desconsiderando a sobrecarga das mulheres com o trabalho doméstico.

A violência doméstica contra a mulher segue como ponto central dos movimentos neste 8 de março, o que se justifica pela magnitude deste fenômeno. De acordo com o Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), 50,3% das mortes violentas de mulheres são cometidas por familiares. Outro dado alarmante, que explicita a combinação perversa entre racismo e sexismo, foi o aumento de 54% no número de homicídios de mulheres negras entre 2003 e 2013, apesar da aprovação da Lei Maria da Penha, em 2006, convocando Estado e sociedade à reflexão sobre estratégias efetivas de enfrentamento à violência, tomando como ponto de partida as proposições dos movimentos de mulheres e de mulheres negras.

A vitalidade demonstrada pelos movimentos de mulheres em 2015, com a Marcha das Margaridas e Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver, que juntas, levaram mais de 100 mil mulheres às ruas, assim como outras manifestações como a chamada Primavera Feminista e a Marcha do Empoderamento Crespo indicam a pluralidade de pautas, formas de organização e propostas das mulheres para os rumos do país, seja agora no 8 de março, no dia 25 de Julho – Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha e sempre que a conjuntura exigir o posicionamento das mulheres.

Certamente, a força das mulheres seguirá marcando a cena política nacional neste ano, rejeitando fortemente os retrocessos e reforçando alianças com o povo negro, povos indígenas, população LGBTT, povos do campo, das águas e das florestas, entre outros segmentos impactados pela ofensiva conservadora no país. A CESE seguirá fortalecendo as ações dos movimentos de mulheres em todo o país, principalmente das mulheres negras e populares do Norte, Nordeste e Centro-Oeste – regiões prioritárias de atuação -, como expressão de seu compromisso com a autonomia das mulheres e com o enfrentamento ao racismo e às desigualdades de gênero como condições para o avanço democrático no Brasil. 

FONTE: CESE. Acessado em 10/03/2016.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

61% dos profissionais LGBT brasileiros escondem sua orientação no trabalho, diz pesquisa Leia a matéria completa em: 61% dos profissionais LGBT brasileiros escondem sua orientação no trabalho, diz pesquisa

Gay couple flirting

Apesar de 75% das empresas terem políticas que proíbem discriminação por identidade de gênero e orientação sexual, muitos profissionais LGBT não se sentem confortáveis para se assumirem no trabalho. De acordo com um estudo divulgado no final de janeiro pelo Center for Talent Innovation61% dos funcionários LGBT no Brasil dizem esconder sua sexualidade para colegas e gestores.


 Luiza Belloni

A pesquisa foi feita em duas etapas e ouviu mais de 12,2 mil profissionais em países como China, Rússia, Cingapura, África do Sul, Turquia, Reino Unido, Estados Unidos e o Brasil. Deste total, 1.964 são lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans.

No Brasil, além de 61% dos profissionais LGBT não assumirem sua orientação sexual ou a identidade de gênero, 49% disseram que não a escondem, mas não falam abertamente sobre o assunto no ambiente de trabalho e alteram o próprio comportamento para se integrar entre os colegas.

Em outros países, como a África do Sul, o percentual é mais baixo, mas continuam próximos dos 50%. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, estes percentuais caem para 30% e 28%, respectivamente. O maior impedimento para assumir a sexualidade ou a identidade de gênero é a discriminação.

Ainda segundo o estudo, apesar dos avanços em relação ao tema, a homossexualidade é considerada um crime em 75 países, como Índia, Rússia e Cingapura. Em oito deles, leis preveem pena de morte para quem tiver relações homoafetivas. Nestes países, o número de profissionais LGBT que assumem a orientação cai drasticamente.

Entre as 500 maiores empresas do mundo, citadas pela Fortune, 93% proíbem qualquer discriminação de identidade de gênero e orientação sexual. Para a fundadora e CEO do Center for Talent Innovation, Sylvia Ann Hewlett, este fato tem ligação com a produtividade da empresa.

“Profissionais LGBT que trabalham para companhias que os fazem se sentir mais seguros em relação a qualquer discriminação tendem a ser mais engajados com o trabalho e a darem mais resultados”, disse Hewlett.



Fonte: Geledés

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A afetividade das mulheres negras

Você já parou para pensar sobre a vida afetiva destas mulheres?

A não ser que você faça parte de algum coletivo feminista ou seja profundamente interessada em teorias de gênero e classe, muito provavelmente nunca ouviu falar sobre a afetividade – ou solidão – da mulher negra. Não é teoria. É estatístico: de acordo com o último Censo realizado no país, em 2010, mais da metade das mulheres negras brasileiras não vivem em união, independente do estado civil.
Durante a produção deste texto, conversando com mulheres brancas, e homens brancos e negros, foi fácil perceber a negação da questão, associada com bastante naturalidade a um suposto “gosto pessoal”. Mas é impossível desconectar as escolhas que são feitas no campo afetivo e sexual do ambiente que vivemos; estamos submetidos a símbolos fortes e que atribuem papeis específicos a mulheres e homens, negros e negras.
Historiadores e militantes afirmam que esta realidade deve ser considerada um fenômeno histórico, reflexo do racismo oriundo dos mais de 300 anos de escravidão e dos estereótipos associados à mulher negra no imaginário da sociedade, normalmente relacionados à sexualidade e ao trabalho.
“Muitas mulheres negras sentem que em suas vidas existe pouco ou nenhum amor. Essa é uma de nossas verdades privadas que raramente é discutida em público. Essa realidade é tão dolorosa que as mulheres negras raramente falam abertamente sobre isso.” – Bell Hooks, escritora americana.
Ainda que muitos dos temas relacionados às questões de gênero estejam cada vez mais em pauta, existe um silenciamento sobre a afetividade e solidão da mulher negra. A psicóloga Jacqueline Gomes de Jesus conta que isso se dá porque grande parte dos estudos e reflexões sobre a mulher que são considerados referência são elaborados por “mulheres brancas, heterossexuais de classe média, que não vivenciam os dilemas das mulheres negras, cotidianamente tratadas como aquelas que são boas para transar, mas não para casar”.
Todas as mulheres sabem que este raciocínio não está exclusivamente relacionado às negras, mas comprovadamente é mais comum a elas. O mesmo Censo citado anteriormente aponta que as mulheres negras são as que menos se casam e as mais propensas ao “celibato definitivo”. Adriana Barbosa, idealizadora da Feira Preta, um dos maiores eventos sobre cultura negra da América Latina, hoje está separada do pai de sua filha e comenta o que sente na pele. “Percebo que os homens negros e brancos não sabem como se relacionar com as mulheres negras. O branco desperta para a sensualidade e sexualidade, enquanto o negro acha que somos complexas demais”. Kamilah Pimentel, mãe da rapper MC Soffia, também solteira, é categórica. “Ou estamos sozinhas ou em relacionamentos falidos”.
Por que não podemos deixar de falar sobre isso?
São muitos os impactos psicológicos deste preterimento. Eles não se restringem exclusivamente aos relacionamentos amorosos, mas também às amizades e ao ambiente de trabalho, que podem gerar sentimentos que reforçam uma baixa auto-estima que culmina em timidez excessiva, ansiedade, depressão, uso abusivo de álcool e outras drogas, entre outros efeitos.
A tentativa de evitar este cenário acaba tornando muitas destas mulheres, não conscientemente, mais vulneráveis a relacionamentos abusivos – dados da última Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE atestam que as mulheres negras representam 60% das mulheres agredidas por pessoas conhecidas. O Mapa da Violência 2015, realizado pela Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais a pedido da ONU Mulheres, mostrou que a violência contra mulheres negras cresceu mais de 190% entre 2003 e 2013, praticada muitas vezes por pessoas identificadas como parceiros ou ex-parceiros.
Confira abaixo o depoimento de diferentes mulheres negras sobre como vivem a sua afetividade ou como ela as afeta no cotidiano, para além das relações amorosas.
Maria Rita Casagrande (Arquivo Pessoal)
“Ao meu redor inúmeras famílias são compostas apenas por mães, ou com mulheres fortíssimas que aos poucos eram varridas pela pobreza, pelo alcoolismo. Parecia o processo natural da vida. A ficha só caiu quando pude me reunir com outras mulheres, já no Blogueiras Negras, e pude ver que estas referências não eram só minhas. Hoje eu tenho uma outra visão sobre quem eu sou, sobre minhas relações. Estar entre outras mulheres negras me permitiu entender mais sobre minha sexualidade, sobre as maneiras como construo minhas relações, sobre aquilo que me conforta, sem expectativas sociais, sem a necessidade de responder tantas coisas para tanta gente” – Maria Rita Casagrande, do Blogueiras Negras e uma das responsáveis pelo I Acampamento de Feminismo Interseccional (o Acampa Intersec)
Jessica Ipolito (Arquivo Pessoal)
“Só fui me dar conta de muita coisa depois que tive contato com o feminismo e a luta anti-racista. Infelizmente, foi dentro de casa que me senti subjugada por ser mulher e lésbica. O ideal era que eu casasse com homem, aí rejeitei isso e coloquei minha lesbianidade a frente. Só que em seguida, o “ideal” era que eu casasse com uma mulher “RICA”, só que o imaginário é de que essa mulher é branca. Não a mulher negra. Eu me lembro bem de ter apresentado pra minha família minha primeira esposa, e de como isso foi um choque. Ninguém espera que você apareça no almoço de domingo com a sua pretinha de mão dada. No entanto, a partir do momento que entendi tudo que acontecia ao meu redor, pude encontrar com outras mulheres que passaram e passam pelo mesmo que eu, e assim, nos fortalecermos. Todas as amigas que tenho hoje são fundamentais na minha vida, num estado permanente, de empoderamento e resistência pra continuar onde quer que eu vá.” –Jessica Ipólito, que escreve no Gorda e Sapatão e também da organização do Acampa Intersec
  
“O mais difícil mesmo foi ter consciência de que sofro bifobia, visto que isso quase não se fala nos movimentos sociais, tanto LGBT como feminista. Não me lembro exatamente da primeira vez, mas quando encontrei o movimento bissexual, já tinha consciência da minha negritude, do racismo que sofro e também da minha condição enquanto mulher, do machismo que sofro. Quando entrei em contato com o movimento bi, relacionei essas três coisas, me sentia e ainda sinto em um “não-lugar” em tudo quanto é espaço, de entretenimento, de militância, de tudo. Porque mulher negra bissexual não é contemplada em lugar nenhum”. – Cacau Rocha, MC, poetisa e cientista social.
 Jaqueline Gomes de Jesus (Arquivo Pessoal)
“Ser mulher negra e trans (estou incluindo aqui as travestis) gera não uma soma de preconceitos e discriminações intersecionados, mas sim uma multiplicação, que mesmo mulheres trans, sendo brancas, não conseguem compreender, exclusões que só alcançam os corpos e as vidas das mulheres negras e trans no Brasil, as quais, por óbvio demográfico, são a maioria da população trans brasileira. O impacto da interação entre racismo, machismo e transfobia é, literalmente, mortal, e prejudica sistematicamente a vivência afetiva plena das mulheres negras trans, em todos os níveis de afiliação, desde as suas amizades aos seus amores” – Jacqueline Gomes de Jesus, psicóloga.
 Djamila Ribeiro (Crédito Renata Martins)
 “Desde muito cedo percebi o que significava ser negra. O período escolar foi muito difícil para mim, sofria com piadas em relação ao me cabelo, minha cor. Na festa junina nenhum menino queria dançar comigo e diziam na minha cara sem cerimônia “eu não vou dançar com a neguinha”. Na adolescência fui preterida em bailinhos, festas e ligava a TV ou comprava um revista que só reforçavam esse sentimento de exclusão porque eu nunca via alguém como eu. Foi muito doloroso perceber que eu vivia num mundo onde eu não me via” – Djamila Ribeiro, mestre em Filosofia Política.
  
“As minhas principais memórias de vivências de racismo tem sido no ambiente de trabalho. Na Feira Preta, me envolvo em várias etapas do projeto. Certa vez convoquei uma reunião com fornecedores da montagem do evento e me lembro que o dono da empresa de montagem do palco não tinha escuta para o que eu falava. Eu o contratei para montar o palco, eu sabia do que estava falando, mas ele não me ouvia e nem me dava atenção. Quando perguntava alguma coisa direcionava o olhar para um outro fornecedor parceiro de longa data que estava ali, como se ele fosse um interlocutor entre nós. Na hora percebi que pra ele era inadmissível eu saber tão quanto ele e, mais ainda, contratá-lo. Não sei o que era mais forte, eu ser negra, mulher ou jovem. Na época, eu tinha 20 e poucos anos“ – Adriana Barbosa, idealizadora da Feira Preta, o maior evento de cultura negra da América Latina, e do bloco Rolezinho das Crioulas, que terá sua 3ª edição este ano, no carnaval de rua da Vila Madalena.
Tamires Ribeiro (Arquivo Pessoal)  
“Quando fui presidente do CA, em muitos espaços que participei, por ser mulher negra, era sempre uma surpresa eu ser a presidente. Acredito que isso se dá por que não é natural uma mulher negra ocupar um espaço de representação como esse. Outra coisa interessante, foi que diante a tanta exposição, eu acabei sentido uma necessidade muito grande de reafirmar a minha negritude, o meu cabelo crespo, e a minha militância e luta, isso me fortaleceu”. – Tamires Sampaio, a primeira mulher negra diretora do Centro Acadêmico da Universidade Presbiteriana Mackenzie
Kamilah Pimentel
“Desde o momento que Soffia nasceu, me preocupei com a racismo que ela iria sofrer e procurei , junto com minha mãe, empoderá-la, deixá-la forte na discussão racial para que fosse algo menos sofrido. Para ela a questão da afetividade vem com o tempo, mas o caminho é empoderamento. É importante também que as mães de meninos empoderem seus filhos para que, lá na frente, eles queiram ter uma relação afetiva com mulheres negras, indo contra o padrão de um sistema que os educa a oprimir a mulher, especialmente a mulher negra –Kamilah Pimentel, empresária e produtora cultural.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Governo chileno destaca casais homossexuais em campanha de TV sobre acordo de união civil

Propaganda sofre resistências de camadas conservadoras da sociedade por mostrar casal de homens dando 'selinho'; veja os vídeos


O governo do Chile lançou uma campanha na televisão para promover a nova lei de Acordo de União Civil (da sigla AUC), que outorga direitos de reconhecimento legal como família para qualquer casal com ao menos dois anos de convivência. Santiago optou por destacar casais homossexuais nos vídeos e sofre resistência de camadas conservadoras do país.
O vídeo usa o slogan-hastag #EstamosDeAcuerdo – “estamos de acordo”, um trocadilho com o termo “estamos de novios”, usado por noivos em alguns países de idioma espanhol – e começa justamente com um selinho gay. Logo um deles, diz: “estamos de acordo em que o amor é igual para todos”… “e para todas”, completa uma moça lésbica, na cena seguinte.
Reprodução
Propaganda no Chile começa com um selinho entre dois homens; vídeo provocou polêmica

A lei do AUC não foi criada somente para homossexuais, mas, ao reconhecer as famílias, inclui direitos de regulação patrimonial e herança em caso de morte do convivente.
Contudo, o Ministério da Justiça decidiu reforçar os benefícios para os casais homossexuais na campanha televisiva. Segundo a ministra titular da pasta, Javiera Blanco, “o spot não deixa os casais heterossexuais de fora, mas buscou evidenciar casos de pessoas que antes estavam completamente desprotegidas e agora possuem uma lei que os ampara”.
O AUC foi promulgado em abril deste ano pelo governo chileno, após quatro anos de trâmite parlamentar – foi lançado em 2011 pelo presidente Sebastián Piñera, que não conseguiu apoio de seu próprio setor político, sendo aprovado somente este ano, já no segundo mandato de Michelle Bachelet.
Veja a propaganda:

A reação negativa por parte da direita foi perdendo espaço, principalmente depois da aprovação da chamada Lei Zamudio (lei antidiscriminação, criada também durante o governo de Piñera). A norma foi criada após o assassinato de um jovem gay por um grupo neonazista e dá penas de prisão para atos que configurem homofobia, racismo, xenofobia, sexismo, entre outros tipos de preconceito.
Reações evangélicas
Tanto é assim que a única reação pública negativa vinda da classe política partiu do senador conservador Iván Moreira, conhecido por ser um antigo defensor do ditador Augusto Pinochet (1973-1990) e porta-voz da comunidade evangélica, e ainda assim se ateve a detalhes, como o horário em que o comercial é exibido. “Estamos estudando um recurso na Justiça para ao menos impor alguma restrição horária para esse conteúdo, que nos parece impróprio para menores”, disse.
A deputada comunista Karol Cariola, em entrevista para a Rádio Nuevo Mundo, respondeu a Moreira e disse que “o vídeo não mostra nenhuma provocadora, só beijos, só amor, e eu confio em que os nossos Tribunais sabem diferenciar um conteúdo sexual de uma simples demonstração de carinho”.
Nesse sentido, cabe destacar que a do AUC não é a primeira campanha governamental com cenas de beijos gays. No ano passado, o Ministério da Saúde lançou um spot para promover o uso de camisinhas durante o verão, que incluía beijos de língua – e, nesse caso, o vídeo teve restrição horária. A campanha, aliás, foi relançada este mês, com o mesmo vídeo.
Outra reação contrária ao spot governamental foi a do pastor Javier Soto, líder evangélico de Valparaíso (capital legislativa do país), que promete também um recurso na Justiça por incitação da adoção por parte de casais homossexuais. “O AUC não dá direito de adoção aos casais homossexuais, e o vídeo mostra um casal de lésbicas com um filho, o que é ilegal”, reclamou Soto.
Campanha contra o HIV, com beijo de língua gay, foi relançada junto com propaganda do AUC

Em conversa com a reportagem, o advogado Óscar Rementería, porta-voz do Movilh (Movimento de Integração e Liberação Homossexual), alegou que “o vídeo não diz que a criança em questão é adotada, e poderia ser filha biológica de uma das duas, o que permitiria que sua guarda fosse dada a uma das mães com ou sem o AUC”.
Para Rementería, o recurso de Soto visa “criar uma jurisprudência que depois se imponha como obstáculo para a busca de novos direitos para os homossexuais, por exemplo, podendo ser usada contra o livro ‘Nicolás Tiene Dos Papás’”. O advogado lembrou que o livro infantil lançado no ano passado, numa iniciativa conjunta entre o Movilh e o governo chileno, teve como um dos principais contestadores o mesmo pastor Javier Soto, que conseguiu postergar a distribuição da obra nos jardins de infância chilenos por alguns meses, através de liminares, em casos que depois foram julgados improcedentes.
Fonte: Opera Mundi

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Vim para o Brasil para reconstruir sonho de estudar, diz haitiano sobrevivente de terremoto

Catástrofe no Haiti em 2010 interrompeu projeto de Robson Baptiste, 29 anos, de cursar Relações Internacionais; ele hoje vive em SP e busca voltar a estudar


Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de grande escala atingiu o Haiti, deixando mais de 300 mil pessoas mortas. Na ocasião, entre milhares de desabrigados nas ruas da capital Porto Príncipe, estava Robson Jean Baptiste. Com a catástrofe, o haitiano teve que interromper bruscamente os seus projetos.

Opera Mundi TV
Nascido em Porto Príncipe, Haiti, Robson Baptiste chegou ao Brasil em abril de 2012
 

"Eu saí da escola (ensino médio) em 2008. Estava me preparando para prestar o vestibular que seria em janeiro (2010), exatamente quando o terremoto passou", relata Robson, hoje com 29 anos e morador do bairro do Glicério, SP. 
 
Os tremores destruíram a casa e o pequeno comércio da família de Robson. "O terremoto acabou com tudo. Não tínhamos para onde ir. Ficamos três meses dormindo na rua sem saber o que fazer", relembra.
 
 
A perda mais dolorida, no entanto, foi a morte de amigos nos escombros de Porto Príncipe. "O momento mais difícil foi saber que meus amigos tinham morrido. Foi quando resolvi viajar para bem longe para tentar esquecer aquele momento. A cada dia que passa, vou esquecendo um pouco mais. Aqui no Brasil é mais tranquilo", diz.
 
Em 2012, dois anos e meio após a tragédia, Robson desembarcou em São Paulo. Desde então, entre idas e vindas em busca de trabalho, traçou o objetivo: cursar Relações Internacionais.
 
"O terremoto destruiu meu sonho de fazer universidade em 2010. Aqui (Brasil) tem mais oportunidades e quero reconstruir esse sonho. Espero conseguir trabalhar para juntar dinheiro e estudar Relações Internacionais", afirma.
 
Para Robson, a principal vantagem de estar no Brasil é ter “liberdade para trabalhar e não depender de ninguém para alcançar os objetivos”. “No Haiti era ruim para trabalhar. Aqui eu já trabalhei como garçom, em uma empresa de gás, entre outros. Gosto dessa liberdade e de não depender de ninguém”, afirma.

Fonte: Opera Mundi

DEFICIENTES VÃO PODER ACUMULAR PENSÃO COM ATIVIDADE REMUNERADA

A Lei 13.182/2015, oriunda de Medida Provisória da Presidente Dilma consagrou o direito, perseguido há vários anos, pela Federação de síndrome de Down, de o deficiente acumular pensão com remuneração. Eis o artigo:
Art. 77, § 6º - O exercício de atividade remunerada, inclusive na condição de micro-empreendedor individual, não impede a concessão ou manutenção da parte individual da pensão do dependente com deficiência intelectual ou mental ou com deficiência grave.
A participação da sociedade civil foi determinante para assegurar o pleno exercício do trabalho a milhares de deficientes, bem como para tranquilizar os seus familiares quanto ao risco que havia de perda – ou não obtenção – de pensão previdenciária por morte dos seus pais ou de quem tem a sua guarda.

É preciso comemorar, sem esquecer, contudo, que ainda temos de avançar em relação às pessoas com deficiência, dependentes do serviço público, não contempladas nessa Lei. 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Senado prepara novas tragédias similares a Mariana

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Incrível: menos de um mês após crime da Samarco/Vale, senadores podem votar, hoje, lei que torna licenciamento e fiscalização ambientais ainda precários
Uma comissão do Senado pode votar, na tarde desta quarta (25/11), um projeto que fragiliza o principal instrumento para evitar desastres ambientais: o licenciamento ambiental. A Câmara também pode apreciar, nas próximas semanas, o novo Código de Mineração, que promete estimular como nunca a atividade no País, mas não traz salvaguardas que protejam efetivamente o meio ambiente e populações afetadas.
As duas votações podem acontecer poucos dias depois do rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração da empresa Samarco, que destruiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), afetou dezenas de outros municípios entre Minas Gerais e Espírito Santo, lançou uma onda de lama ao longo do Rio Doce, praticamente destruindo seus ecossistemas, e agora deverá causar impactos ambientais graves na costa capixaba, naquela que já é considerada a maior tragédia ambiental do País. Denúncias dão conta de que o licenciamento ambiental da barragem deveria ter sido mais rigoroso. A Samarco pertence à Vale e à mineradora anglo-australiana BHP Billiton.
Onda de lama atravessa barragem em Baixo Guandu (ES)
Por enquanto, já foram registradas 12 mortes e 11 pessoas continuam desaparecidas. A onda de lama interrompeu o fornecimento de água de pelos menos 500 mil pessoas entre os dois estados. Ainda não se sabe toda a extensão dos danos, mas os custos de reparação devem passar do patamar de bilhões de reais. Não há previsão para a recuperação dos ecossistemas ao longo do rio.
A proposta que pode ser votada nesta quarta é o Projeto de Lei do Senado (PLS) 654/2015, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR). Ele cria um “rito sumário” para o licenciamento ambiental de empreendimentos que sejam considerados “estratégicos” pelo Poder Executivo federal ou estadual, por meio de decreto. A proposta estabelece uma licença ambiental única a ser concedida em torno de oito meses, sem previsão de audiências públicas. Poderiam ser classificados como “estratégicos” empreendimentos como extração de minério, estradas, ferrovias, aeroportos, hidrelétricas, portos e linhas de comunicação (veja projeto emendas).
A tendência é que, se aprovado o projeto, teriam um licenciamento acelerado obras complexas com grandes impactos, justamente aquelas que especialistas e organizações da sociedade civil consideram que necessitam de processos de licenciamento mais cautelosos e eficazes.
“É um completo contrassenso que o Senado possa aprovar um projeto que pretende reduzir drasticamente a prevenção de danos socioambientais como os ocorridos após o rompimento da barragem da Samarco”, critica Maurício Guetta, advogado do ISA. “O caso de Mariana, a exemplo de outros tantos, deveria servir de lição para que o Congresso e o Poder Executivo aprimore o licenciamento ambiental, evitando a ocorrência de danos irreparáveis. Flexibilizá-lo será prejudicial a todos: meio ambiente, populações afetadas, governos e o próprio empresariado.”

O relator da matéria é o senador Blairo Maggi (PR-MT). O projeto está na Comissão Especial de Desenvolvimento Nacional em caráter terminativo, ou seja, se aprovado segue diretamente para a Câmara sem passar pelo plenário do Senado. Os parlamentares podem, porém, aprovar um recurso para levar a proposta ao plenário. Essa comissão recebeu as propostas da chamada “Agenda Brasil”, iniciativa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que supostamente visaria a enfrentar a crise econômica.
As assessorias do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-S), e de Maggi responderam que os parlamentares não poderiam conceder entrevistas até o fechamento desta reportagem.
Código de Mineração
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), manifestou, há alguns dias, a intenção de levar o Projeto de Lei 37/2011, o novo Código de Mineração, diretamente ao plenário, atalhando sua tramitação (saiba mais). O parecer sobre a proposta ainda não foi oficialmente apresentado e discutido pelos deputados na Comissão Especial que o analisava.
Sob a justificativa de simplificar e liberalizar a burocracia relacionada à mineração, o relator, deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), apresentou um parecer preliminar que aprofunda retrocessos para o meio ambiente e os direitos de comunidades indígenas e tradicionais impactadas pela atividade. Segundo Quintão, esse relatório teria sido elaborado junto com técnicos do Ministério de Minas e Energia e teria apoio do Planalto (leia mais). A assessoria do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), informou que ele só vai se pronunciar sobre o projeto quando for apresentado um relatório final.
Deputado federal Leonardo Quintão (PMDB – MG)
Quintão vem argumentando que sua proposta não reforça salvaguardas ambientais, sociais e trabalhistas porque já há legislações específicas que as garantiriam. Ele também afirma que o parecer assegura recursos para as comunidades afetadas por meio de verbas que serão destinadas aos municípios que abrigam empreendimentos de mineração. Sem explicitar e detalhar formas de compensação e proteção socioambientais, no entanto, o relatório não garante os direitos de populações específicas diretamente atingidas.
Depois do desastre de Mariana, ao invés de adiar a votação de seu parecer para reavaliá-lo, Quintão vem empenhando esforços para acelerar a tramitação da matéria. O deputado limitou-se a prometer algumas mudanças em seu relatório. O site do parlamentar afirma que ele irá incluir na proposta um “seguro antidanos” obrigatório para “cobrir prejuízos ao meio ambiente, às pessoas, à infraestrutura urbana e à economia local em caso de catástrofes”. Também promete estabelecer a exigência de que as mineradoras apresentem planos para o tratamento de resíduos de barragem que permitam sua reutilização (leia aqui).
Para Maurício Guetta, essas medidas são insuficientes e deixam de contemplar ações preventivas para evitar tragédias como a de Mariana. “Faz mais de dois anos que cobramos do relator alterações substanciais no texto, para que sejam incluídas medidas de prevenção de danos decorrentes das atividades minerárias e para que sejam garantidos os direitos das populações afetadas e dos trabalhadores. Mesmo após o desastre de Mariana, ele continua a ignorar as demandas apresentadas”, denuncia Guetta.

fonte: Outras Palavras. Acessado em 26/11/15. 

JOVENS DO SUBÚRBIO FERROVIÁRIO DE SALVADOR LANÇAM DOCUMENTÁRIO SOBRE O GENOCÍDIO DA JUVENTUDE NEGRA

Com Aproximadamente 15 minutos, vídeo coloca em pauta o olhar e a voz das lideranças juvenis. O curta-metragem  Não Somos + Um  que será lançado, no próximo dia 18 de dezembro, às 18h, na praça São Braz e Centro Cultural Plataforma, traz à tona o genocídio da juventude negra  sobre o olhar da segurança pública. Realizado por jovens do Subúrbio Ferroviário que fazem parte da Agência de Comunicação do Subúrbio, o curta baliza vivências e opiniões de lideranças locais e  referências no debate.  Na cerimônia ocorrerá também o lançamento do livro Juventudes Negras: Trajetórias e Lutas e, a participação de grupos culturais e juvenis.
Na oportunidade a cineasta baiana, Eliciana Nascimento, residente dos Estados Unidos vêm a terra natal para lançar o seu premiado filme The Summer of Gods, com título em Português de O Tempo dos Orixás. O seu filme teve lançamento internacional no Festival de Cannes em 2014 e desde então vem sendo exibido em várias partes do mundo e já recebeu cinco premiações em festivais de cinema nos Estados Unidos e Cabo Verde, dentre estas, três de melhor filme.
No Brasil, a exclusão social tem cor e procedência, pois são os jovens negros os que mais morrem e que ocupam as piores taxas de vulnerabilidade social.  Segundo o levantamento do Diagnóstico dos Homicídios de 2014, elaborado pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública – SINESP, a Bahia registra taxa de homicídios mais alta entre os Estados brasileiros, sendo que do total dos homicídios, cerca de 79,6% é jovem, negra e moradora de periferias.
Curta - Realizado pelo projeto Juventude Negra e Participação Política, da Ong Cipó Comunicação Interativa, o documentário é o resultado final da monitoria de duas políticas públicas: Juventude Viva e Pacto Pela VidaNão Somos + Um coloca em pauta o genocídio da Juventude Negra, por outro lado, mostra que esta juventude estar viva, organizada e lutando sem esquecer das histórias interrompidas e dos sangues derramados. O documentário conta com a participação de pessoas públicas como a ouvidora do estado, Vilma Reis e, artistas consagrados, como Marcio Vitor e Fábio Santana,  ator do Bando de Teatro Olodum.
Livro – Fruto da mobilização de militantes jovens e não jovens do Movimento Negro brasileiro,  Juventudes Negras: Trajetórias e Lutas tem como objetivo promover a valorização do direito de viver da juventude negra.  Surgiu a partir do projeto Rodas de Conversas Sobre Juventudes Negras: Identidade, Desenvolvimento e Genocídio, uma ação do Observatório de Juventudes Negras promovido pela Articulação Política de Juventudes Negras e a Associação Frida Kahlo.   Para o lançamento do livro contaremos com a participação do militante, filosofo e organizador Samoury Mugabe Ferreira Barbosa.
Curta – O Tempo dos Orixás é um curta de gênero fantasia que mostra a experiência de Lili, uma menina de 7 anos que tem a habilidade de se comunicar com os ancestrais. Ao visitar a sua vó no interior, ela descobre que tem uma missão com os Orixás. A sua vó é a líder espiritual de sua comunidade e, anualmente, realiza uma festa dedicada a Yemanjá. Essa celebração está correndo o risco de ser extinguida porque a vó da Lili está prestes a falecer. Para salvar essa tradição, os Orixás introduzem Lili em uma aventura mágica que simboliza a sua iniciação na tradição. Ficção, 20min.  Além da exibição do documentário e curta, teremos apresentações de música, teatro e poesias com grupos do Subúrbio e de outras periferias de Salvador.
Serviço:
O que: JOVENS DO SUBÚRBIO FERROVIÁRIO DE SALVADOR LANÇAM DOCUMENTÁRIO SOBRE O GENOCÍDIO DA JUVENTUDE NEGRA
Onde: Centro Cultural Plataforma e Praça São Brás
Quando: 18 de Dezembro (Sexta) às 18h.
Ingressos: Gratuito